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23 de Setembro de 2018

A Primavera brasileira não teve flores...mesmo

Publicado por Tarciso Tavares Tato
há 4 meses

Por Tarciso Tavares Tato*

É compreensível a sua, a dele, a nossa revolta com a situação política no País em todas as áreas. No entanto temos que ter consciência e bom senso e usar o "mea culpa, mea culpa...", pois todos os políticos que lá estão, em sua grande maioria reeleitos, foi por vontade popular através das urnas e todos podem ser trocados, pela vontade popular, nas eleições. Isto faz parte do estado democrático de direito, entre tantas outras liberdades garantidas Constitucionalmente, e que devem ser preservadas a todo custo. A todo custo mesmo...como ocorreu no passado, para que hoje tenhamos, o que nos anos de chumbo sonhávamos, esta tal liberdade.

Como gosto de números, vou compartilhar alguns aqui.

A inflação do período militar foi modesta, em torno de 20% ao mês, tornando-se galopante na década de 80 quando, chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro. E o que você podia fazer? NADA!

A dívida externa pulou de 3,9 bilhões de dólares, em 1968, para 12,5 bilhões em 1973. A turma dos camarotes rurais adorava, pois as exportações eram subsidiadas. Mário Henrique Simonsen, um dos intelectuais orgânicos do regime, soltou esta pérola aos porcos: “A partir de 1964, logramos alcançar razoável estabilidade política”. Uau! Tem cada charlatão neste mundo de Deus. (...só podemos afirmar isso agora, sem medo dos porões...)

A política governamental elevou acentuadamente a participação dos membros mais ricos da população na renda global, diminuindo a dos 80% mais pobres. Sem dúvida, um mecanismo eficiente de redistribuição de renda. Para cima. Ahh...mas você não admitiria isto! Admitiria sim, debaixo de porrete...A primavera brasileira não teve flores pelo caminho, apenas dor. Quem sobreviveu a ditadura militar não deseja que seus vestígios reapareçam.

Os números dão uma surra de realidade. Que sucesso. Em 1970, 50,2% dos brasileiros ganhavam menos de um salário mínimo. Em 1972, já eram 52,5%. Que milagre! Apenas 78,8% dos trabalhadores ganhavam até dois salários mínimos. Uma proporção, com certeza, pequena. Um decreto de 1938 estabeleceu o que o salário mínimo devia comprar. Opa! Como o povão deixou passar isto? Ditadura. Elementar meu caro Watson!

Nossa bela ditadura alterou esses dados para ganharmos mais. Passamos de 12 para 14 horas de trabalho diário para poder comer. Em 1959, um trabalhador precisava de 65 horas e cinco minutos de trabalho para comprar a cesta básica fixada pelo decreto de 1938. Em 1963, eram 88 horas. Em 1974, 163 horas e 32 minutos. Nenhuma democracia faria melhor, ou faria...?(¹ )

Saltamos para 25 milhões de crianças passando fome. Uma pesquisa revelou que 60% das crianças entrevistadas trabalhava mais de 40 horas por semana. Chamava-se isso de educação pelo trabalho: 18,5% da população entre 10 e 14 anos de idade trabalhava. O efeito pedagógico foi espetacular: 63% das crianças entre 5 e 9 anos de idade, em 1976, fora das escolas.(²) Nunca mais se foi tão longe. Era difícil um país nos bater em analfabetismo ou semianalfabetismo. Tudo isso pela "segurança nacional". É de arrepiar, o nosso êxito no período da ditadura...Anote aí que o povo não podia ir para as ruas pedir "Democracia já". Anotou?

O Brasil não pode sofrer este retrocesso. Além do que, os próprios militares têm consciência que uma intervenção, golpe, não seria uma solução. Não teria respaldo da ONU e o País afundaria mais e mais, levando os brasileiros a loucura, haja vista já terem conhecido uma Democracia, mesmo no nosso sistema presidencialista, podre e enraizado pela corrupção e não num Parlamentarismo, talvez este a solução mais viável para os brasileiros. No entanto, muitos se deixam levar por áudios e vídeos onde pessoas se intitulam "general tal", "general mingau" e blá, blá, blá, dá-lhe fakes. Aliás, Facebook, Twitter, WhatsApp, pode esquecer.

Poderia me alongar infinitamente apontando aqui as "maravilhas" que os militares fizeram pelo País. Não é esta a intenção nem o fórum adequado para maiores detalhes. Reafirmo que podemos mudar com a força e união do povo participando e apoiando os movimentos legítimos por melhorias. Protestando a pleno pulmão porque nos é permitido. Acima de tudo analisando as reivindicações e se quem está por trás delas são os trabalhadores e a população. Nada de partidos, ideologias, infiltrados ou o diabo a quatro. Somente a vontade popular deve prevalecer. E se a vontade popular é que se acabe com os altos salários e mordomias infinitas a custa do suor do povo, que esta vontade seja manifesta através de protestos diretos no Congresso Nacional, reivindicando o fim da farra com o dinheiro Público. Isto é legal, constitucional, democrático e pode ser feito, é só os brasileiros quererem. Ou não...

Hoje temos o direito de mostrar a nossa revolta e indignação com esta escória da sociedade que domina o Congresso e além do mais, ainda possuímos a ferramenta adequada para alterar isto, chama-se: ELEIÇÕES. O resto é fanfarronice!

*Tarciso Tavares Tato é Presidente da UNAA http://www.unaabrasil.com/ Agente Voluntário da AVB http://www.avbbrasil.org.br/, ex delegado do Sindicato Nacional dos Aeronautas http://www.aeronautas.org.br/ e editor responsável da página Mongaguá Melhor https://www.facebook.com/MongaguaMelhor/

(¹) Adaptação do texto de Juremir Machado

(²) Dados oficiais extraídos do livro Estado e oposição no Brasil

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