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23 de Agosto de 2019

Impeachment e intervenção militar

Os "black blocs" dos teclados

Publicado por Tarciso Tavares Tato
há 5 anos

O título bem que poderia ser o nome de uma nova banda, mas não é.

Hoje ao ler alguns "convites para eventos" do Facebook em minha caixa postal, tipo: IMPEACHMENT DA DILMA, INTERVENÇÃO MILITAR JÁ, e como a minha tolerância está zero para a falta de bom senso e informação dos "black blocs" dos teclados, verdadeiros leões midiáticos, resolvi escrever este artigo.

Vamos lá. Querem a intervenção dos militares? Então que venha a ditadura né!?

Como também gosto de números, vou compartilhar algumas informações do amigo Juremir Machado, tiradas do livro, “Estado e oposição no Brasil”, de Maria Helena Moreira Alves, repleto de informações consistentes daquele período negro da nossa história, principalmente no capítulo intitulado “O milagre econômico”. Li e recomendo.

• Por exemplo, a inflação do período militar foi modesta, em torno de 20% ao mês. A dívida externa pulou de 3,9 bilhões de dólares, em 1968, para 12,5 bilhões em 1973. A turma dos camarotes rurais adorava, pois as exportações eram subsidiadas. Mário Henrique Simonsen, um dos intelectuais orgânicos do regime, soltou esta pérola aos porcos: “A partir de 1964, logramos alcançar razoável estabilidade política”. Uau! Tem cada charlatão neste mundo de Deus.

• Maria Helena Moreira Alves resume: “A política governamental elevou acentuadamente a participação dos membros mais ricos da população na renda global diminuindo a dos 80% mais pobres”. Sem dúvida, um mecanismo eficiente de redistribuição de renda.

• Para cima sempre. Os números dão uma surra de realidade. Que sucesso meus queridos "black blocs" dos teclados. Em 1970, 50,2% os brasileiros ganhavam menos de um salário mínimo. Em 1972, já eram 52,5%. Que milagre! Apenas 78,8% dos trabalhadores ganhavam até dois salários mínimos. Uma proporção, com certeza, pequena. Um decreto de 1938 estabeleceu o que o salário mínimo devia comprar.

• Nossa bela ditadura alterou também esses dados: Passamos de 12 para 14 horas de trabalho diário para poder comer. Em 1959, um trabalhador precisava de 65 horas e cinco minutos de trabalho para comprar a cesta básica fixada pelo decreto de 1938. Em 1963, eram 88 horas. Em 1974, 163 horas e 32 minutos. Nenhuma democracia faria melhor.

• Saltamos para 25 milhões de crianças passando fome. Uma pesquisa revelou que 60% das crianças entrevistadas trabalhava mais de 40 horas por semana. Chamava-se isso de educação pelo trabalho: 18,5% da população entre 10 e 14 anos de idade trabalhava. O efeito pedagógico foi espetacular: 63% das crianças entre 5 e 9 anos de idade, em 1976, fora das escolas. Nunca mais se foi tão longe. Era difícil um país nos bater em analfabetismo ou semianalfabetismo. Tudo isso pela segurança nacional.

• A ditadura também mudou a composição dos orçamentos. Uma extraordinária revolução. O da Saúde passou de 4,29% do total, em 1966, para 0,99% em 1974. O da Educação despencou de 11,07% para 4,95% no mesmo período. Em compensação, os três ministérios militares, muito mais úteis à nação, abocanhavam 17,96% dos recursos.

Lógico que hoje ainda estamos muito longe do que queremos e é saudável a cobrança por crescimento em todos estes setores com a aplicação orçamentária adequada. Quero dizer saudável quando se reivindica com conhecimento, com bom senso, discernimento, legalidade sem esta fúria insana dos "black blocs" dos teclados que compromete a democracia brasileira. Com os "milicos" prevalecia o "modus operandi" da desinformação do prendo e arrebento e da tortura.

Fico realmente perplexo quando vejo este tipo de evento em redes sociais e conclamo a todos que querem tanto o Impeachment, sem qualquer embasamento constitucional e estes "coturnos" de volta ao poder, que leiam e guardem estes dados, pois a farra da rede vai acabar. Os meios de comunicação serão controlados, o Congresso fechado e toda a sujeira "verde" ficará, como sempre ficou, debaixo do tapete. Ahh... Isso os amigos também não sabiam? Então tá.

Quanto a mim? Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei.

Tarciso Tavares - Tato

4 Comentários

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Sendo verdade, ainda é bem melhor que o Foro de São Paulo ou qualquer outro esquerdismo.
Fico pensando se tudo era censurado e escondido como existem todos esses dados publicados?
Outra coisa chamar de "black blocs" dos teclados é desonestidade intelectual.

Black blocs são apenas mais um de tantos outros marginais apoiados pelo Governo Federal continuar lendo

Há pessoas tentando aterrorizar o povo, procurando confundi-lo acerca da intervenção militar de 1964. Naquela época havia militares radicais que amavam o poder, tanto, ou, alguns talvez mais que a Pátria e tiraram do poder os militares que tinham a tendência oposta e desejavam devolver o país aos civis, após os quatro anos de governo do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco o qual inclusive morreu num acidente aéreo provocado por um avião caça da FAB, em circunstâncias não muito bem explicadas, poucos meses após o término no seu mandato presidencial. Em verdade foram dois golpes: o primeiro dado pelos militares que queriam apenas colocar o país em ordem e convocar eleições em seguida; o segundo pelo militares chamados "linha dura" os quais decidiram que o poder militar continuaria governando. Os militares de hoje são diferentes e nada têm a ver com os militares "linha dura" que decidiram que o militarismo permaneceria no poder. Os militares de 2014 amam o País, não o poder, tanto assim que até hoje permanecem em sua função constitucional precípua, a despeito dos abusos que vêm sendo praticados pelos últimos governos (os militares de 1964 tomaram o poder de João Goulart, por muito menos). Os militares atuais, conforme se extrai das declarações de seus principais generais, preferem se manter em suas funções, nos quartéis, preparados para defender a Pátria de eventuais ameaças estrangeiras e eventualmente reforçando o combate ao crime, quando para isto convocados, mas ressalvam que, em caso de tentativa de conversão da Pátria em socialismo bolivariano implantado em Cuba e outras republiquetas latino-americanas (que seria traição governamental à Constituição e aos princípios democráticos que tradicionalmente nos orientam, há séculos), não exitarão em intervir, para o restabelecimento da democracia, em comprimento da sua função proclamada no art. 142 da Constituição Federal:

"Art. 142 - As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

Note-se que a Magna Carta prevê a intervenção militar, mediante convocação por qualquer um dos poderes constituídos (Executivo, Legislativo, ou Judiciário), para a defesa da Pátria e garantia dos poderes constitucionais. Ficou claro também, nos pronunciamentos de militares da ativa e da reserva, que as instituições militares poderão intervir, caso isto signifique para o Brasil um mal menor do que a afronta à Lei Maior e aos princípios democráticos que a inspiram.
Dessa forma, o que podemos esperar dos militares, atualmente é uma intervenção, somente em caso de inconfundível ato governamental de traição à democracia brasileira, fora do que preferem continuar nas casernas, no estrito cumprimento de suas funções normais.
Portanto, não se deve dar confiança a essas propagandas terroristas que os atuais detentores do poder político vêm impingindo aos nossos militares, a estes se referindo como ameaça à liberdade do povo e comparando-os com os militares do passado os quais, há muito tempo já não se encontram mais em atividade, muitos inclusive por falecimento. Os nosso militares atuais são, isto sim, esperança do povo brasileiro, pela garantia que representam para a manutenção da lei e da ordem, através da preservação da democracia proclamada na nossa Constituição Federal e para o que certamente contam com o apoio das potências do mundo democrático as quais são, felizmente, muito mais fortes que a união dos paisecos terroristas espalhados pelo mundo e as republiquetas bolivarianas concentradas na América latina.
Ressalve-se ainda que, mesmo os militares denominados"linha dura" os quais pecaram pelo excessivo autoritarismo, jamais pecaram pela cleptomania, pois não se sabe de nenhum deles que tenha deixado o governo em melhor situação financeira do que a que possuíam quando assumiram o poder, bem diferente portanto de alguns políticos civis enriquecidos rapidamente, logo após terem assumido os seus cargos cuja remuneração é aparentemente incompatível com as fortunas adquiridas.
A situação do governo recentemente reeleito não é, em verdade, nada tranquila, pois, tendo recebido somente cerca de 3% a mais que o candidato derrotado o qual conseguiu 49% dos votos válidos, dentre os eleitores que realmente votaram nestas eleições, cerca de 19,4% dos eleitores preferiram a abstenção eleitoral, significando, assim, que a Senhora Presidenta não tem apoio de quase 68% do eleitorado brasileiro, o que muito favorece a aceitação popular de uma ação militar intervencionista.
Enfim, o que se pode esperar do poder militar, atualmente, não é um golpe, mas sim um contra-golpe, para afastamento de uma intentona de implantação de ditadura esquerdista. continuar lendo